Grávidas apelam a ‘jeitinho’ para realizar parto normal em SP

Grávidas apelam a ‘jeitinho’ para realizar parto normal em SP

plano-saude

A cumplicidade das operadoras de saúde com as maternidades pró cesárea é absurda!

 

No blog Mamíferas (link no blogroll) achei a excelente resposta:

Ontem foi publicada na Folha uma matéria sobre as gestantes que estão “com um jeitinho” driblando as exigências do Plano de Saúde Amil e Medial, bem como do Hospital São Luiz, para que as usuárias daquelas operadoras possam ter parto normal no hospital com o pagamento feito pelo plano de saúde que pagam mês a mês. Isso porque aquele hospital, no contrato com a operadora de saúde, cobre apenas cirurgia eletiva.

Segundo a ANS, pela operadora em que fui atendida hoje, os planos de saúde com a modalidade obstétrica devem cobrir qualquer tipo de parto, seja o normal, seja a cirurgia cesariana. E, cada plano de saúde, em sua rede credenciada, é obrigado a ter hospitais que possuam estrutura para atendimento ao parto.

Mas e a questão do Hospital São Luiz? Conforme informado, no contrato com a operadora, o HSL não mantém atendimento de pronto socorro, apenas partos marcados, assim estaria agindo de acordo com o contrato existente e teria a parturiente que buscar outro hospital de sua rede credenciada.

Se a reportagem diz que as grávidas estão procurando um “jeitinho” para terem seus partos normais, o fato é que o Hospital e a Rede Amil e Medial já há tempos deram um “jeitinho” para descumprir as regras de saúde, e fazer aumentar, por comodidade financeira e de tempo, os altos índices de cirurgia cesariana, pouco se importando com as consequências para a parturiente.

A Resolução normativa da ANS nº 211, de 11 de janeiro de 2010 dispõe os tipos de plano de saúde que podem ser oferecidos, e dentre eles está o Plano Hospitalar com Obstetrícia. São as regras do referido plano, definidas no artigo 19:

Art. 19 O Plano Hospitalar com Obstetrícia compreende toda a cobertura definida no artigo 18 desta Resolução, acrescida dos procedimentos relativos ao pré-natal, da assistência ao parto e puerpério, observadas as seguintes exigências:

I – cobertura das despesas, incluindo paramentação, acomodação e alimentação, relativas ao acompanhante indicado pela mulher durante:

a) pré-parto;

b) parto; e

c) pós-parto imediato por 48 horas, salvo contra-indicação do médico assistente ou até 10 dias, quando indicado pelo médico assistente;

II – cobertura assistencial ao recém-nascido, filho natural ou adotivo do beneficiário, ou de seu dependente, durante os primeiros 30 (trinta) dias após o parto;

III – opção de inscrição assegurada ao recém-nascido, filho natural ou adotivo do beneficiário, como dependente, isento do cumprimento dos períodos de carência, desde que a inscrição ocorra no prazo máximo de 30 (trinta) dias do nascimento ou adoção. (Redação dada pelo art. 2º da RN nº 262, de 02/08/2011)

§ 1º  Revogado. (Redação dada pelo art. 2º da RN nº 262, de 02/08/2011)

§ 2º  Para fins de cobertura do parto normal listado nos Anexos, este procedimento poderá ser realizado por enfermeiro obstétrico habilitado, conforme legislação vigente, de acordo com o artigo 4º desta Resolução. (Redação dada pelo art. 2º da RN nº 262, de 02/08/2011)

A cobertura obstetrícia não é uma emergência a ser atendida em pronto socorro. É uma modalidade de plano comercializado por uma operadora com a chancela da Agência Nacional de Saúde. E, em prevendo que determinado hospital está credenciado para a cobertura obstétrica, é direito da usuária ser atendida e ter seu plano realizado no referido hospital com as despesas cobertas pelo plano que possui.

O Anexo I da Resolução 211, no final das fls. 82, elenca os partos que estarão cobertos pelo Plano hospitalar com Obstetrícia, e o parto normal não está elencado como um evento de emergência médica. Aliás, é da natureza do parto não ter a data certa para o nascimento do bebê. Data certa para nascimento só ocorre com a indicação de cesariana eletiva cujas consequências, em sua grande maioria, são ruins para a mãe e para o bebê.

Vejam bem, apenas para a mãe e o bebê! Por que para os hospitais e Planos de Saúde, a cesariana eletiva é um excelente negócio. Mães com cirurgia cesariana permanecem no hospital mais tempo que uma que teve o parto normal, assim o hospital ganha nas diárias, nos medicamentos para o pós cirúrgico, nos curativos que precisam ser trocados, no pagamento dos honorários dos profissionais que foram visitar a mulher recém operada. È uma cirurgia que requer cuidados médicos, e assim o hospital aumenta o seu ganho financeiro. Já o bebê, a grande maioria vai passar por procedimentos desnecessários – o que faz o caixa do hospital lucrar um tanto mais, e os que infelizmente nasceram prematuros (e não são poucos)  vão precisar de uns dias na UTI Neonatal para ter o pulmão maduro, e aí, mais dinheiro para o hospital, e mais acordo com as operadoras de saúde.

Marcar uma cesárea eletiva num hospital é igual a chegar em Las Vegas e ficar jogando nas maquininhas que te comem mais e mais dinheiro. Por isso o hospital vai dizer que só cobre cirurgia e não parto normal. Por isso o hospital vai classificar parto normal como emergência.

Só que o argumento das usuárias precisa ser bem claro: PARTO NÃO É EMERGÊNCIA MÉDICA! PARTO É UM EVENTO COBERTO PELO PLANO DE SAÚDE HOSPITAL COM OBSTETRÍCIA, QUE CUMPRIDA A CARÊNCIA DETERMINADA EM LEI, NÃO É EMERGÊNCIA, APENAS NÃO POSSUI DATA CERTA PARA ACONTECER.

Para referendar, o Anexo III da resolução citada ali em cima, dispõe sobre os serviços de assistência ao parto e ali não é descrito que o parto normal é uma emergência médica a ser atendido no Pronto Socorro. Parto é um evento que pode ocorrer na maternidade (no meu caso, preferi em casa, mas isso é outro assunto.). E deve ser coberto pelo Plano de Saúde.

E o Código de Defesa do Consumidor, no artigo 39 dispõe sobre as práticas abusivas que não podem ser praticadas pelo fornecedor/prestador de serviços:

Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)

I – condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;

II – recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes;

IV – prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços;

VII – repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício de seus direitos;

IX – recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de intermediação regulados em leis especiais;(Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)

Pois bem, eu entendo que as práticas do hospital citado na reportagem do início desse texto e das operadoras de saúde AMIL e Medial ferem o Código de Defesa do Consumidor no artigo 39 e nos incisos acima elencados ao fazerem distinção sobre os tipos de parto atendidos quando a ANS não dispõe dessa forma, ao recursar atendimento ao parto normal quando aceita outro tipo de “parto” (a cirurgia cesariana), ao impor para a parturiente a quase obrigatoriedade de optar pela cesárea eletiva para ter direito ao parto naquele hospital, ao informar que parto normal é emergência e assim só poderia ser atendido via pronto socorro, ao recusar-se a prestar atendimento ao parto a uma consumidora que possui o plano hospitalar com cobertura obstétrica e atender consumidoras que optam pela cesárea eletiva.

Mas essa realidade só vai mudar quando as mulheres reclamarem os seus direitos. É fácil!

Ligue para a ANS no 0800 701 9656 e faça uma reclamação de que sua operadora de Saúde que te vendeu um Plano Hospitalar com Obstetrícia se recusa a te dar as coberturas constantes do Anexo I da Resolução 211 da ANS, diga que ele faz distinção entre os tipos de parto cobertos e assim está infringindo o artigo 19 da Resolução nº 211 da ANS, que ele discrimina as usuárias ao dar cobertura a um parto por cirurgia cesariana eletiva, mas não lhe permite o parto normal, diga que a sua operadora está agindo em desacordo com o Anexo III da Resolução nº 211 da ANS, diga que sua operadora está em conluio com o Hospital para praticar a violência obstétrica  contra você parturiente ao lhe negar o direito de uma pronta assistência usando desculpas em função de sua ignorância técnica como consumidora, e diz que ele está te discriminando. Peça a abertura de uma reclamação, e a aplicação da multa descrita aqui.

Além da reclamação na ANS, procure um advogado para propor uma ação. Ou, para ações de até 20 salários mínimos, você que se sentir prejudicada, pode ir até um Juizado Especial e propor uma ação de obrigação de fazer para que o hospital que atende pelo plano de saúde uma cesariana eletiva atenda o seu parto normal, pedindo uma liminar, nos termos do artigo 83 do Código de Defesa do Consumidor, cumulada com os artigos 6º inciso IV e com o artigo 39 incisos I, II, IV, VII e IX todos do Código de Defesa do Consumidor.

Consulte seu advogado. Vá atrás dos seus direitos.

Não dê “jeitinho”, mude com suas ações práticas o abuso dos “jeitinhos” praticados pelos hospitais e operadoras de saúde.

E muitas pessoas pensam assim!

Tive de admitir que quando li, quase engasguei de raiva!

Q-U-A-S-E !!!

MAs no fim do texto, eis uma surpresa! Vale a pena ler! Mostra uma mentalidade que infelizmente está permeando nossa sociedade.

Parabéns a Clarissa, autora do blog “A mãe que quero ser” !!! Super beijo querida!

http://amaequequeroser.wordpress.com/2012/04/01/5-motivos-para-agendar-uma-cesarea-com-36-semanas/

p.s. leiam o post seguinte a esse das 36 semanas! Boa Leitura!

Como atender um Parto Humanizado – passo a passo

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Por Ana Cristina Duarte

Você, médico ou enfermeira obstetra, está lá de plantão no seu canto. Não aguenta mais aquele papo de quem vai pro paredão do BBB.

Chega a gestante em trabalho de parto. Vamos supor as seguintes condições:
– Fez pré natal e não há nada de anormal
– Ela está em trabalho de parto (contrações efetivas, 2 a 3 contrações em 10 minutos)

Eis o que fazer:

1) Sorria. Apresente-se com um aperto de mão, diga seu nome e sua função na instituição. Cumprimente o acompanhante. Parabenize-a pela chegada do bebê. Só faça elogios. Não faça críticas, nem piadas. Seja simpático e sorridente, sem ser ‘engraçadinho’. E definitivamente essa não é a hora de julgar falta de pré natal, excesso de filhos, de peso ou de pêlos. Nada disso é da sua conta. Lembre-se que você está sendo pago por esse serviço, que aceitou voluntariamente. Lembre-se que, em última instância, são elas que pagam o nosso salário.

2) Deixe-a à vontade e o mais confortável possível, com liberdade de posição, desde essa fase de triagem. Explique que ela pode parar de responder se vier contração. Aguarde as contrações, sempre que vierem, antes de continuar o seu questionário. Pergunte o que precisa, para preencher a ficha da admissão. Ofereça uma camisola da instituição, sem obrigá-la a usar.

3) Peça que aproveite logo após o final de uma contração para se deitar em maca com encosto elevado pelo menos 45º. Diga que tentará ser o mais rápido possível. Instale a cardiotocografia de admissão, explique que é para avaliar os batimentos cardíacos do bebê. Verifique temperatura, pulso e pressão arterial. Tire termômetro e manguito de pressão tão logo termine as medidas. Peça licença para examinar a dilatação. Espere ela concordar. Seja delicado. Use gel lubrificante. Não force o colo. Não tente abrir mais do que já está. Pense em como você gostaria que um profissional examinasse internamente sua esposa, sua irmã, sua filha. Apenas avalie rapidamente, dilatação, esvaecimento, posição e altura. Diga a ela com quantos centímetros ela está de dilatação e dê parabéns, novamente. Diga que ela pode continuar o exame do coração do bebê em qualquer posição, inclusive de pé. Após os 20 minutos necessários, desligue imediatamente o aparelho e, caso esteja tudo bem, informe esse dado. Caso não esteja tudo bem, diga o que o preocupa, e informe que você já vai cuidar disso com a maior rapidez possível.

4) Supondo que ela já esteja com pelo menos 4 cm de dilatação e contrações efetivas, ou seja, na fase ativa do trabalho de parto, instale-a com o acompanhante, de preferência numa sala individual (não coletiva). Mostre onde tem banheiro, água, telefone, local para caminhar, banheiro para o acompanhante, chuveiro, bola, e tudo o que pode ser útil. Se ainda for fase inicial, explique que é complicado internar assim tão precocemente. Incentive-a a voltar pra casa por algumas horas (se for perto) ou a dar um passeio a pé, até as contrações ficarem mais fortes.

5) Não realize lavagem intestinal, nem tricotomia, nem qualquer procedimento de rotina na internação. Não ligue soro com ocitocina. Deixe o trabalho de parto evoluir normalmente. A ocitocina só deve ser utilizada em casos de distócia de progressão. Lembre-se que a ocitocina pode causar anóxia e óbito fetal. Ocitocina não é remédio pra “ajudar”. Ocitocina é uma droga potentísssima e perigosa.

6) Não rompa bolsa, a não ser em caso de distócia de progressão ou de sofrimento fetal (para verificação de mecônio). Deixe que a natureza se encarregue disso. Se nada for feito, a bolsa se romperá naturalmente entre 7 e 10 cm de dilatação, ou durante o período expulsivo. Ruptura artificial da bolsa das água é o maior fator de risco para prolapso de cordão.

7) Examine apenas o necessário. Tirando a ausculta fetal, que é fundamental para sabermos a vitalidade do bebê, não há porque ficar fazendo toques vaginais de hora em hora. Na fase ativa, podem haver intervalos de até 4 horas entre um toque e outro. Não deixe que mais de um profissional realize o toque. Peça licença. Pergunte se ela prefere que seu acompanhante permaneça ou saia durante o exame. Não assuma que você sabe como ela se sente, nunca! Sempre elogie o progresso, e como ela é forte, e como ela está lidando bem com o trabalho de parto. Se a bolsa estiver rompida, especial cuidado! O parto pode demorar quantas horas for necessário com a bolsa rompida, mas os exames de toque aumentam o risco de infecção.

8) Se for realizar cardiotocografia, não deixe o aparelho ligado por mais de 20 minutos, explique que o alarme não significa problemas, que em geral é porque houve perda do foco pelo aparelho, desligue imediatamente logo após terminado, e dê liberdade de posição durante o exame. Não é necessário que a mulher esteja deitada.

9) Incentive a mudança de posição, deambulação, banho de chuveiro e banheira, uso da bola, descanso em diferentes posições. Não é necessário seguir um circuito pré estabelecido. Explique apenas que ela não está doente e que deve confiar em seu corpo. Explique sobre a importância de não ficar numa só posição o tempo todo. Mostre técnicas de massagem para o acompanhante. Incentive o uso do chuveiro para alívio da dor. Ofereça sucos, água e alimentos.

10) Conforme chegar mais perto do expulsivo, explique os sintomas e peça ao acompanhante que chame caso um desses sintomas seja referido. Não faça dilatação manual do colo, pois esse é o maior fator de risco para laceração de trajeto. Aguarde a evolução natural. Não coloque a mulher “em posição”. Dê liberdade durante o período expulsivo. Dê preferência a posições verticais, como a banqueta de parto, por exemplo. Não é necessário realizar antissepsia dos genitais.

11) Deixe a mulher fazer força conforme sente vontade, não fique guiando, gritando ordens ou pedindo que ela prenda a respiração e faça força comprida. Deixe que ela sabe o que fazer. Bebês nascidos sob manobra de Valsalva têm notas de Apgar em média menores do que os nascidos sob puxos espontâneos. Não fique colocando os dedos na vagina dela para “alargar” o canal. A vagina é tecido mole, não segura o bebê. Se for possível abaixe a luz, deixe alguma música (se ela gostar da idéia), fale baixo. Evite falar, na verdade. Faça apenas a ausculta a cada 10-15 minutos. Lembre-se que desacelerações durante a contração são normais, ainda mais no período expulsivo.

12) Dê tempo ao tempo, lembre-se que o período expulsivo de uma primigesta pode levar até 2 horas, às vezes até mais, desde que esteja havendo progresso e a ausculta esteja boa. Quando o bebê estiver coroando, convide a mulher a sentir a cabeça do bebê com a mão, e assim controlar a força e a expulsão. Proteja o períneo com uma compressa. Não empurre o fundo uterino, nem com a mão, muito menos com o cotovelo. A Manobra de Kristeler pode provocar lesão de fígado, de baço, ruptura uterina, descolamento de placenta, fratura de costela e hematomas, entre outros problemas.

13) Dê tempo para a cabeça subir e descer várias vezes, alongando o períneo. Isso evitará laceração. Não corte episiotomia, por favor. O maior risco de laceração de quarto grau ocorre quando se abre uma episiotomia. Lacerações em geral são pequenas, a maioria nem sutura necessita. Cerca de 70% das mulheres saem com períneo intacto.

14) Após a saída da cabeça, não puxe o bebê. Deixe que a próxima contração traga o resto do corpo. Isso pode levar 5 minutos. Lembre-se que o bebê está sendo oxigenado pelo cordão. O bebê pode nascer sozinho apenas com as contrações uterinas. Receba o bebê com delicadeza, enxugue-o delicadamente, sem esfregar. Sinta a pulsação do cordão, se estiver acima de 100, o bebê está bem. Ainda ligado ao cordão, coloque o bebê em contato pele a pele com a mãe e cubra-o, para prevenir a perda de calor. Não corte o cordão. Espere que ele pare de pulsar. Cerca de 1/3 do volume de sangue do bebê está no cordão e placenta. Deixe que esse sangue vá para o bebê.

15) Com a mãe ainda segurando seu bebê no colo, aguarde a placenta sem tracionar. Verifique apenas que o útero esteja contraído. Isso pode te dar a segurança que você precisa para deixar a natureza cuidar da placenta sem intervenções. Se houve fator de risco para hemorragia pós parto, aplique ocitocina intra-muscular e aguarde.

16) Se for necessário suturar, faça-o com anestesia suficiente para que a mãe não sinta dor. Se ela disser que está doendo, acredite: está doendo. A dor faz aumentar a adrenalina, diminuindo a produção de ocitocina: pior para o aleitamento, pior para a hemorragia pós parto. A amamentação na primeira hora de vida é prioridade e é a melhor forma de prevenir a hemorragia.

17) Após a primeira mamada e o cordão já cortado, pergunte se o pediatra pode examinar. Se possível o exame deve ser feito na própria sala de parto. Se não for possível, peça ao pai para acompanhar o exame. Enxugue melhor o bebê, com delicadeza. Corrija o corte do cordão, se necessário. Não aspire um bebê que respira. Pingue o colírio de escolha, de preferência abandone o nitrato de prata, menos efetivo, cáustico e doloroso. Substitua por antibiótico ocular. Deixe vacinas e vitamina K para as horas seguintes ao parto. Pese e identique o bebê. Devolva o bebê para a mãe imediatamente após o exame e diga a ela os dados relevantes.

18) Leve mãe, bebê e acompanhante para o quarto, na mesma maca, e favoreça o alojamento conjunto.

19) Da série “Um plus a mais”: obstetrizes/enfermeiras obstetras para todas as mulheres; doulas voluntárias e permissão de entrada da doula contratada pela mulher, analgesia peridural para mulheres que esgotaram todas formas alternativas e não farmacológicas de controle da dor do parto; quartos com ambientação agradável; banheira para relaxamento e para o parto na água (aguarde nota sobre como atender um parto na água); uso de vácuo no lugar de fórceps sempre que possível (e necessário, claro).

20) Da série “Nunca é tarde pra lembrar”: residentes e estudantes estão lá para aprender SE e QUANDO a mulher permitir. Mulheres e bebês não são cobaias. Parto não pode ter platéia. Não é humano colocar 6 estudantes observando a vagina de uma mulher. Nâo é humano colocar 6 estudantes e residentes para meter seus dedos nervosos em vaginas de mulheres com dor, assustadas e embaraçadas. Por favor, tome cuidado com a presença dos estudantes e sempre peça permissão à mulher. Sempre!

Por incrível que pareça, essas atitudes são o que chamamos de “Parto Humanizado”. Para quem achava que parto humanizado envolvia o canto de mantras, a degustação da placenta e todos pelados na banheira, talvez seja uma decepção. Para quem milita pelo direito a um parto tranquilo para todas as mulheres, do SUS ou do sistema privado, é um grande alívio.

Imprima esse texto e entregue isso ao seu obstetra ou ao hospital público onde vai ter o seu bebê. Explique que é apenas isso que você deseja para seu parto.

Médico que fez cobrança extra por parto terá que ressarcir paciente

honorarios medicosDaniella Zanotti
dzanotti@redegazeta.com.br

Médicos de duas operadoras de saúde que fizeram cobranças extras por parto podem ter que reembolsar pacientes. O Ministério Público Estadual (MPES) notificou a Unimed Vitória e a SM Saúde para que os profissionais credenciados parem de fazer essa cobrança da taxa extra, de disponibilidade para acompanhamento do parto.

A notificação é recomendatória e prevê, ainda, que as gestantes que já pagaram a taxa sejam ressarcidas imediatamente. A promotora do MPES Sandra Lengruber, que deu início à discussão no Estado, afirma, no documento, que a cobrança é abusiva e que o plano de saúde pode vir a arcar com os custos.

A notificação recomendatória estipula um prazo de dez dias, contados a partir do recebimento do documento, ou seja, 25 de março no caso da Unimed Vitória e 26 de março para a SMS, para que as empresas informem as providências que adotaram. As notificações foram encaminhadas às duas operadoras com base nas denúncias recebidas pelo MPES.

Sem acordo
Representantes do MPES reuniram-se, no último dia 8, com advogados de planos de saúde, Procons Estadual e da Grande Vitória, Conselho Regional de Medicina e Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia.

Obstetras e conselhos de Medicina defendem a medida, alegando que o profissional fica à disposição 24 horas para o parto. Pacientes e órgãos de defesa do consumidor são contra o pagamento.

O MPES diz que a notificação “tem natureza recomendatória no sentido de prevenir responsabilidade civil, penal e administrativa, a fim de que no futuro não se alegue ignorância quanto à extensão e o caráter ilegal e antijurídico dos fatos noticiados”, informa o documento.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já declarou que vai multar as operadoras caso os credenciados cobrem o adicional.

Meu bebê tá enforcado! A estória da circular de cordão.

circular1Por Melania Amorim

Qual o principal problema associado com a presença de uma ou mais circulares de cordão?Estamos aqui nos referindo às circulares cervicais, aquelas “voltas” que o cordão pode dar em torno do pescoço fetal, porque até onde eu saiba ninguém está preocupado com outros tipos de circulares, que podem se formar em torno do tórax, do abdome, dos membros fetais. O que permeia o imaginário popular, alimentado, infelizmente, pelo terrorismo que alguns obstetras fazem em torno desse achado, é a fantasia de que circulares em torno do pescoço possam levar ao “enforcamento” do bebê, uma entidade nosológica que definitivamente não existe, nunca foi documentada. Bebês nascem “laçados” há milênios.

Então, senhores, essa história de circular de cordão é antiga. Só que no passado, somente se descobria que o bebê estava “laçado” ao nascimento. Nas últimas décadas, com o advento e a popularização da ultrassonografia pré-natal é que surgiu a possibilidade de se detectar circular de cordão no momento do exame e, infelizmente, isso tem levado a muitas indicações desnecessárias de cesariana em nosso país. Digo em nosso país porque não tenho conhecimento de que circular de cordão represente “indicação” de cesariana fora do Brasil. Corrijam-me, se estiver enganada.

 No entanto, a presença de uma ou mais circulares de cordão ao nascimento representa um achado fisiológico em 20 a 40% dos bebês (2-5). Bebês saudáveis se movimentam dentro do útero e giram para um lado e para o outro, podendo formar e desfazer circulares a qualquer momento. Desta forma, é baixa a acurácia da ultrassonografia, mesmo associada à dopplervelocimetria colorida, para predizer circulares de cordão ao nascimento, uma vez que com a constante movimentação fetal, tanto um bebê com diagnóstico de circular pode nascer sem circular como o contrário, um bebê em que a ultrassonografia não detectou circular pode nascer com uma ou mais circulares de cordão (4).
Sugere-se que a presença de circulares seja um evento randômico com maior frequência na gestação tardia, como parte da vida intrauterina, que raramente se associa com aumento de morbidade e mortalidade perinatal (2,4). Na literatura, a taxa de detecção de circulares cervicais pela ultrassonografia varia de acordo com os diferentes estudos, demonstrando-se uma sensibilidade de ultrassonografia com Doppler colorido entre 38 e 79%. Um elevado percentual de falsos positivos e negativos é descrito quando a circular é detectada antes do trabalho de parto. Aproximadamente 25 a 50% das circulares cervicais formadas durante a gravidez irão se resolver antes do parto, e até 60% dos fetos têm uma circular cervical presente em alguma ocasião durante a gravidez (2,4).
Nenhum ensaio clínico randomizado foi realizado com a finalidade de avaliar via de parto na presença de circular cervical, porque não se considera patológico um achado tão frequente, e não há rationale ou justificativa científica para se investir tempo e dinheiro em um estudo desse tipo. Fora as implicações éticas, já imaginaram ter que operar, realizar a cirurgia de extração fetal, o “talho cesáreo” – como veem, eu também leio o Rezende – em mulheres saudáveis tão somente por conta de um diagnóstico essencialmente pouco acurado de circular de cordão?
Além disso, os estudos observacionais demonstram que a presença de circular de cordão não se associa com piora do prognóstico perinatal (2-6). Em um estudo com 11.748 mulheres, a taxa de circulares ao nascimento foi de 33,7% a termo e 35,1% pós-termo. Desacelerações da frequência cardíaca fetal (FCF) intraparto foram mais frequentes na presença de circular de cordão, e eliminação de mecônio foi aumentada apenas nos casos de gestações pós-termo com múltiplas circulares. Alterações de gasimetria foram mais frequentes em bebês com circular de cordão, porém não houve aumento do risco de escores de Apgar menores que sete nem de admissões em UTI neonatal.  Os autores concluem afirmando que a presença de circular de cordão não influencia o manejo clínico nem o prognóstico perinatal, e que não é necessário pesquisar circular de cordão pela ultrassonografia no momento da admissão por trabalho de parto (4).
Em tempo: alterações da FCF ocorrem não porque o bebê esteja se “enforcando” mas porque podem existir circulares apertadas – e isso teoricamente em qualquer circular, não apenas nas circulares cervicais – e daí, durante a contração uterina, reduz-se o fluxo sanguíneo para o bebê e resultam as chamadas desacelerações “umbilicais” ou “variáveis”. Aliás, essas desacelerações variáveis podem ocorrer com ou sem circular, por compressão do cordão, por exemplo, como em casos de oligo-hidrâmnio, ou cordão curto (7).
Eventualmente, na presença de múltiplas circulares ou uma circular apertada com cordão curto, pode haver maior risco de desaceleração da frequência cardíaca fetal (FCF), eliminação de mecônio e escores de Apgar mais baixos (4). Entretanto, outros estudos não descrevem associação entre múltiplas circulares e prognóstico neonatal adverso (6, 8). Na eventualidade de circulares apertadas, uma ausculta fetal cuidadosa, como deve ser feita em todos os casos durante o trabalho de parto, pode detectar precocemente alterações da FCF, sobretudo desacelerações umbilicais (4). O prévio conhecimento de que existe uma circular, no entanto, pode levar à indicação de cesárea nesses casos, podendo sobrelevar as taxas de cesárea sem necessariamente melhorar o prognóstico perinatal. Ultrassonografia antes da indução ou no início do trabalho de parto não é recomendação de rotina com essa finalidade (4).
Desta forma, não se deve modificar a conduta obstétrica em função de um diagnóstico eventual de circular de cordão, e não é necessário pesquisar circular de cordão no exame ultrassonográfico nem anteparto nem no momento da admissão em trabalho de parto (4, 9). A monitorização da FCF deve ser realizada em todas as parturientes, independente do prévio conhecimento de que existe uma circular (10). Assim, em caso de uma ou mais circulares apertadas levando a desacelerações da FCF, uma ausculta fetal cuidadosa pode detectar precocemente essas alterações e a conduta obstétrica nesses casos seguirá as recomendações preconizadas para uma frequência cardíaca fetal não tranquilizadora (10).
 Como lidar com uma ou mais circulares de cordão é um assunto que tem sido abordado em diversos artigos. Infelizmente, alguns obstetras têm o hábito de ligar precocemente o cordão e proceder ao desprendimento imediato quando se deparam com uma circular de cervical apertada (11). No entanto, além de desnecessária, porque o cordão não irá enforcar o bebê, a ligadura precoce do cordão pode trazer efeitos adversos, privando o bebê do suprimento sanguíneo e das trocas gasosas que se processam através do cordão (12). Uma circular frouxa não precisa ser desfeita, podendo o nascimento processar-se normalmente.
Para circulares apertadas, recomenda-se a manobra de “somersault” com ligadura tardia do cordão (13).
somersault
E para fechar o assunto, segue o vídeo (pode contar!) com cindo circulares de cordão tranquilamente deslaçados:
Referências
1. Souto Maior, M. Nomes próprios pouco comuns. Contribuição ao estudo da antroponímia brasileira. Fundação Joaquim Nabuco, 1973.
2. Clapp JF 3rd, Stepanchak W, Hashimoto K, Ehrenberg H, Lopez B. The natural history of antenatal nuchal cords. Am J Obstet Gynecol. 2003;189: 488-93.
3. Wang Y, Le Ray C, Audibert F, Wagner MS. Management of nuchal cord with multiple loops. Obstet Gynecol. 2008; 112 : 460-1.
4. Schäffer L, Burkhardt T, Zimmermann R, Kurmanavicius J. Nuchal cords in term and postterm deliveries–do we need to know? Obstet Gynecol. 2005; 106: 23-8.
5. Shrestha NS, Singh N. Nuchal cords and perinatal outcome. Kathmandu Univ Med J (KUMJ) 2007; 5:360-3.
6. Mastrobattista JM, Hollier LM, Yeomans ER, Ramin SM, Day MC, Sosa A, Gilstrap LC 3rd. Effects of nuchal cord on birthweight and immediate neonatal outcomes.  Am J Perinatol 2005; 22:83-5.
 7. Westgate JA, Wibbens B, Bennet L, Wassink G, Parer JT, Gunn AJ. The intrapartum deceleration in center stage: a physiologic approach to the interpretation of fetal heart rate changes in labor. Am J Obstet Gynecol. 2007; 197: 235.e1-11.
8. Williams M, O’Brien W. Multiple or tight nuchal cord loops are not associated with significant perinatal morbidity. Am J Obstet Gynecol. 2002;187:S93.
9. Peregrine E, O’Brien P, Jauniaux E. Ultrasound detection of nuchal cord prior to labor induction and the risk of Cesarean section. Ultrasound Obstet Gynecol. 2005; 25:160-4.
10. Liston R, Sawchuck D, Young D. Society of Obstetrics and Gynaecologists of Canada, Bristish Cloumbia Perinatal Health Program. Fetal health suveillance: antepartum and intrapartum consensus guideline. J Obstet Gynaecol Can 2007;29: S3-56
11. Sadan O, Fleischfarb Z, Everon S, Golan A, Lurie S. Cord around the neck: should it be severed at delivery? A randomized controlled study. Am J Perinatol. 2007; 24: 61-4.
12. McDonald Susan J, Middleton Philippa. Effect of timing of umbilical cord clamping of term infants on maternal and neonatal outcomes. Cochrane Database of Systematic Reviews. In: The Cochrane Library, Issue 07, 2012. Art. No. CD004074. DOI: 10.1002/14651858.CD004074.pub2
13. Mercer JS, Skovgaard RL, Peareara-Eaves J, Bowman TA. Nuchal cord management and nurse-midwifery practice. J Midwifery Womens Health 2005; 50: 373-9.
14. Reed R. Nuchal cords: think before you check. Pract Midwife. 2007; 10:18-20.

Resolvi! Vou ser mãe. E agora?

Teste-de-Gravidez1. Vá a uma farmácia ou posto de saúde e comece a tomar ácido fólico

O ácido fólico é uma substância que evita defeitos no bebê, mas o melhor é que seja tomado pelo menos um mês antes de a mulher engravidar.

Mesmo que você ainda não tenha ido ao ginecologista para dar a notícia de que quer engravidar e fazer os exames necessários (leia abaixo), já pode ir tomando o ácido fólico, que é vendido sem receita médica nas farmácias, e fornecido gratuitamente em postos de saúde.

O ideal é comprar apenas o ácido fólico, e não um complexo de vitaminas. O excesso de vitamina A (mais que 770 mcg RAE ao dia) pode ser prejudicial ao feto. Leia mais no nosso artigo sobre o ácido fólico.

A dose recomendada de ácido fólico é de pelo menos 400 microgramas (mcg), equivalente a 0,4 miligrama, ao dia. O ácido fólico não engorda e é bem baratinho. Os comprimidos disponíveis normalmente têm bem mais do que a dose recomendada (muitas vezes com 1 ou 5 miligramas).

2. Pense duas vezes antes de cair na balada

Comece a preparar seu corpo pegando mais leve nas noitadas, principalmente reduzindo ou eliminando o cigarro, o consumo de drogas e de bebidas alcoólicas. Vários estudos já demonstraram que o fumo e o uso de drogas podem provocar aborto espontâneo, parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascer.

As substâncias nocivas podem permanecer por mais tempo no organismo, por isso o melhor é parar bem antes de engravidar.

Leve em conta também que o cigarro afeta a fertilidade feminina e a contagem de espermatozoides do homem. Por isso, e também pelo fumo passivo, vale a pena pensar em limpar a casa do cigarro, com o casal abandonando o hábito antes mesmo da gravidez.

Os efeitos do álcool na gravidez são imprevisíveis, por isso alguns médicos sugerem que a mulher pare de beber antes mesmo de começar a tentar engravidar.

3. Diminua o cafezinho sagrado de todo dia

Pesquisas mostram que o excesso de cafeína pode afetar sua capacidade de absorver ferro, que é muito necessário na gravidez, e eleva o risco de o bebê morrer dentro do útero. Há ainda indícios de que a cafeína afete a fertilidade.

Vá reduzindo então seu consumo de cafeína, não só no cafezinho, mas também em refrigerantes, chás e até no chimarrão. Mas cuidado para não abrir mão da cafeína de uma vez só, pois você pode ficar com dores de cabeça bem desagradáveis.

Leia mais sobre a cafeína na gravidez.

4. Tente se aproximar do seu peso ideal

Estudos mostram que é mais difícil engravidar para mulheres muito magras ou acima do peso, com índice de massa corporal (IMC) abaixo de 20 ou acima de 30. Não sabe qual é seu IMC? Clique aqui para calcular.

Trabalhar para chegar ao peso ideal também vai ajudar você com o próximo passo, que é cuidar da alimentação. Afinal, comer bem é uma coisa que você vai precisar ter na cabeça durante a gravidez e até depois que o bebê nascer, quando estiver amamentando.

O melhor é pedir orientação a um profissional de saúde se você estiver fora da faixa recomendada de peso.

5. Encha a geladeira de comida saudável

Você ainda não está “comendo por dois”, mas é bom já ir se acostumando e estocando no seu organismo nutrientes que serão essenciais para uma gravidez saudável. Procure comer pelo menos duas porções de fruta por dia, e três porções de hortaliças e verduras.

Capriche também nas fibras e em alimentos ricos em cálcio, como leite, iogurte e brócolis.

Se você gosta muito de peixe, é melhor evitar alguns tipos que vivem em águas profundas, como cação, peixe-espada, garoupa e marlin, porque eles podem acumular mercúrio, substância prejudicial que fica no organismo por até um ano.

Uma boa sugestão é comer no máximo duas porções (cerca de 350 gramas) de peixes como salmão ou atum por semana.

6. Monte e siga seu programa de exercícios

Exercício na gravidez faz muito bem, mas o ideal é que a mulher já esteja fazendo atividade física antes de engravidar, porque aí é só continuar a fazer os exercícios a que já está acostumada, sempre tomando os cuidados necessários.

Além disso, a malhação pode ajudar a eliminar o estresse que pode vir junto com as tentativas de engravidar.

O mais recomendado é fazer uma hora de atividade física, como caminhada, bicicleta e musculação, pelo menos três ou quatro vezes por semana. Para completar, exercícios de flexibilidade e alongamento (como ioga).

Não faça muito mais que isso — excesso de exercícios pode acabar atrapalhando o ciclo menstrual. Desde que você esteja menstruando normalmente, deve estar tudo bem.

Se você sempre foi sedentária, comece aos poucos, sob orientação médica. Caminhar de 10 a 20 minutos por dia já é um bom princípio — vá ao supermercado a pé, suba escadas em vez de pegar o elevador, mexa seu corpo sempre que der.

7. Vá ao dentista

Há cada vez mais provas de que doenças na boca podem afetar a gravidez, fazendo o bebê nascer prematuro, por exemplo. As mudanças hormonais que acontecem durante a gestação deixam a mulher mais suscetível a problemas na gengiva.

Se faz mais de um ano que você não vai ao dentista, é melhor ir agora, antes de engravidar.

8. Pesquise um pouco o histórico médico da sua família

Você já ouviu seus pais contarem que tiveram um irmão que morreu pequeno, ou alguma criança na família que nasceu com problemas, ou tem parentes com doenças crônicas?

Pode parecer meio mórbido, mas vale a pena dar uma investigada na família de vocês dois para saber se não há histórico de problemas genéticos ou cromossômicos, como síndrome de Downanemia falciforme, outros tipos de anemia como a talassemia, fibrose cística, doença de Tay-Sachs (frequente nos descendentes de judeus do Leste Europeu), hemofilia e outras.

Se descobrir alguma coisa suspeita, você vai poder perguntar ao ginecologista se é necessário algum tipo de exame especial ou aconselhamento genético para avaliar os riscos.

9. Marque uma consulta com o ginecologista

Não precisa ser ainda, necessariamente, com o médico que vai acompanhar a gravidez, mas você precisa marcar uma consulta e ir ao ginecologista para que ele dê uma olhada geral na sua saúde (e não só nos órgãos reprodutivos).

Diga ao médico todos os remédios que está tomando ou que tomou recentemente. Alguns medicamentos, como o antiacne Roacutan (isotretinoína), não só não podem ser tomados na gravidez, mas permanecem no organismodepois de você parar de tomá-los.

Conte ao médico sobre qualquer outro problema crônico de saúde, como a diabete ou disfunções da tiroide. O ginecologista vai dizer se você precisa tomar alguma vacina, como a contra a rubéola.

É o médico também que vai decidir se é necessário fazer algum tipo de investigação genética, com base no que você contar a ele do histórico da sua família.

10. Observe seu corpo para descobrir quando está ovulando

Não há nada contra simplesmente parar de evitar a gravidez e deixar a coisa rolar naturalmente, para ver o que acontece. Só que boa parte das mulheres fica ansiosa, querendo engravidar o quanto antes.

Se for esse seu caso, vale a pena se sintonizar com seu próprio organismo para ver se descobre a data da ovulação. Nossa calculadora da ovulação pode ajudar a dar uma ideia do momento ideal para encomendar o seu bebê, quando chegar a hora de tentar de verdade.

11. Informe-se sobre seu plano de saúde ou pré-natal público

A maioria dos planos de saúde tem dez meses de carência para gravidez, mesmo se apenas para mudança de categoria. Por isso, se você tem convênio ou plano de saúde, informe-se para ver quais hospitais, médicos e exames o plano cobre e se há reembolso. Se quiser mudar de categoria, terá de fazer isso antes de engravidar.

Caso você não tenha plano de saúde e pretenda entrar em um, vale a mesma coisa: você vai precisar entrar pelo menos dez meses antes da data do parto, portanto é bom dar uma boa antecedência antes de começar as tentativas concretas.

Maternidades particulares têm planos especiais para quem não tem plano de saúde — você pode se informar sobre eles.

Todas as mulheres têm direito a atendimento pelo SUS, de graça, mas é aconselhável investigar na sua região para ver a qualidade da assistência médica, que varia muito. Um bom começo é procurar as unidades básicas de saúde (postos) para saber como funciona o pré-natal.

Leia nosso artigo sobre as despesas do parto para entender melhor o tamanho da responsabilidade de se programar na questão do dinheiro para esses gastos.

12. Faça as contas e programe sua vida financeira

Bebês vêm com enormes despesas. Procure fazer um planejamento dos gastos, não só os da gravidez e do parto, mas também os do resto da vida. Pense nas coisas menos óbvias, como o preço da escola — parece que está tão longe… O “a gente dá um jeito” não é a melhor maneira de pensar.

Veja também como vai ficar sua vida durante a licença-maternidade. Autônomas que contribuem para o INSS recebem o salário-base da contribuição, por isso talvez valha a pena aumentar a contribuição antes de engravidar para receber um salário melhor.

Descubra na empresa se há mudanças no esquema de trabalho para grávidas, ou se há muitos casos de mulheres que são mandadas embora depois que voltam da licença-maternidade (coisa que infelizmente não é tão rara assim).

13. Planeje seu espaço físico

Há lugar na sua casa para um bebê? A região é legal para criar um filho? Você quer construir mais um quartinho ou fazer uma reforma? O momento para pensar nisso é agora, não depois da gravidez. Lidar grávida com reforma ou mudança de casa é uma receita perfeita para o estresse.

14. Organize seus sentimentos e sua saúde mental

Mulheres que sofrem de depressão tendem a ter mais dificuldade para engravidar. Caso você não esteja com a cabeça boa, é melhor se tratar antes de engravidar, porque as mudanças hormonais são um furacão, e muitas vezes provocam depressão na gravidez e depressão pós-parto.

Se a mulher estiver equilibrada no momento da gravidez, tudo tende a ser mais fácil. O médico saberá quais antidepressivos podem ser tomados enquanto se está tentando engravidar. Vale tentar também técnicas como ioga e meditação.

Em relação ao seu parceiro, veja se o relacionamento de vocês está bem. A gravidez só vai piorar as coisas se a situação já não estiver boa.

15. Proteja sua saúde e evite infecções

Quando se está tentando engravidar, é bom começar a tomar os mesmos cuidados da gestação, para não ficar doente nas primeiras semanas da gravidez, que é justo quando os órgãos do bebê estão se formando e estão mais sujeitos a problemas.

Lave as mãos com frequência, peça para outra pessoa cuidar da caixinha de fezes do gato, para evitar atoxoplasmose. Prefira não comer carne crua, inclusive de peixe. Dê uma olhada desde já no nosso artigo sobrealimentação saudável na gravidez, pois você pode aplicar os mesmos princípios.

Quando já estiver tentando de verdade, evite tomar remédios no período depois da ovulação, ou seja, a partir da metade do ciclo menstrual, porque já pode haver um embriãozinho em desenvolvimento dentro da sua barriga.

16. Pense bem

Ter um filho é compromisso para a vida toda. Antes de pôr a mão na massa e fazer seu bebezinho, faça algumas perguntas a você mesma:

– Vocês dois estão no mesmo barco nessa história de ter um bebê?

– Se vocês têm diferenças de religião, já discutiram como isso vai afetar a criança?

– Você pensou em como vai conciliar o trabalho e os cuidados com a criança?

– Vocês estão dispostos a abrir mão da vida despreocupada e de “luxos” como dormir até mais tarde no fim de semana?

17. Conte a notícia para um(a) amigo(a)

É provável que você seja invadida por um monte de emoções ao mesmo tempo nesta época de decisões e tentativas. O apoio de uma pessoa especial é valiosíssimo. Mas não precisa espalhar para todo mundo que “está tentando”. Você vai ter de enfrentar olhares curiosos e cheios de expectativas cada vez que disser “oi” para as pessoas.

Outra opção é compartilhar sua expectativa com outras mulheres na sua situação, nos nossos fóruns, por exemplo.

18. Apimente sua relação

Há especialistas que acham que, quanto mais excitada a mulher, maior é a chance de haver fertilização. Já outros acham que não faz diferença. O ponto é que a hora do “vamos ver” é a mais gostosa, e deve ser aproveitada.

Prepare-se para esquentar as coisas: uma lingerie provocante, velas no quarto, uma massagem… Faça o que funciona melhor para vocês.

19. Pare de usar seu método anticoncepcional

Se você já seguiu todos os passos, está na hora de começar a tentar de verdade. Dependendo do método, a coisa é mais imediata — ou não. Basta deixar de usar a camisinha e vocês já estarão “tentando”, mas no caso de métodos hormonais a coisa não é tão fácil.

Se você toma a pílula tradicional combinada, por exemplo, é melhor terminar de tomar a cartela, para evitar que sua menstruação fique toda bagunçada. Pode levar alguns meses para o ciclo menstrual se regularizar depois da pílula.

O mesmo vale para os adesivos e o anel intravaginal. No caso da injeção de Depo-Provera, pode demorar mais tempo para você começar a ovular de novo, mesmo que a menstruação volte ao normal rápido. DIUs e implantes precisam ser retirados pelo médico.

Quanto tiver parado de usar anticoncepcional, acostume-se a marcar na agenda ou no calendário a data da sua menstruação. Depois vai ficar mais fácil contar a gravidez.

20. Divirta-se e aproveite a vida despreocupada sem filhos

Se tudo der certo, sua liberdade vai acabar logo. Então aproveite: ande de montanha-russa, monte a cavalo, surfe, faça tudo de radical que depois não vai poder fazer por um bom tempo.

Namore muito, vá ao cinema, durma até tarde. E tomara que seus esforços funcionem e que logo você esteja devorando toda nossa seção sobre gravidez.

E, quando aquele teste der positivo, não se esqueça de cadastrar a gravidez para começar a receber os boletins semanais grátis com o desenvolvimento do bebê.

Boa sorte!

*Fonte: BabyCenter